Nada aqui foi imaginado.
Cada corpo desta página é uma fotografia de missão da NASA esticada sobre uma esfera e iluminada da posição real do Sol. Os tamanhos são os de verdade. As distâncias também. Role para começar a se afastar.
De onde vem cada imagemO sistema solar é quase inteiro feito de nada.
Numa figura de livro os planetas ficam lado a lado porque, em escala de verdade, oito deles sumiriam da página. Esta peça mantém a escala real de tamanho e de distância, e é por isso que quase toda a rolagem é escuridão com um ponto de luz no meio.
Os mundos de rocha
Quatro bolas de pedra nos primeiros dois por cento do caminho. Depois delas, o vazio começa de verdade.
De onde vem cada imagem.
Nenhuma textura desta página foi gerada por IA nem comprada em banco de imagem. Todas vêm de missão da NASA, da ESA ou do USGS, e todas são de uso livre. Abaixo, corpo por corpo, o que é cada uma.
As manchas solares que aparecem no primeiro ato são as que estavam no Sol no dia em que esta página foi montada.
Mercúrio é cromaticamente quase neutro. O mapa colorido que circula por aí é cor realçada para mostrar mineralogia, e não foi usado aqui.
A estrutura em Y das nuvens só aparece em ultravioleta. A olho nu Vênus é uma bola creme quase sem feição, e é assim que ela sai aqui.
A Terra é o único corpo da viagem com três camadas: superfície, nuvem e a luz das cidades no lado da noite.
A Lua aparece escura porque ela é escura: reflete 14% da luz que recebe, quase o mesmo que asfalto usado.
A face virada para a câmera é a de Valles Marineris, o cânion de quatro mil quilômetros.
A Cassini fotografou perto do equador, então os polos ficaram sem dado no mapa e foram fechados aqui.
As quatro aparecem pequenas porque estão longe: no sobrevoo a câmera passa mais perto de Júpiter do que qualquer uma delas.
Não existe mapa planificado publicado do globo de Saturno. Este foi desprojetado aqui a partir da foto.
A Voyager passou quase por cima do polo sul. Urano é o corpo mais liso da viagem, e isso não é limitação do dado.
A foto famosa é azul safira porque o contraste foi esticado de propósito para revelar as nuvens. Netuno de verdade é bem mais pálido.
O polo sul dos dois estava em noite polar durante o sobrevoo. Nenhum mapa do mundo tem esse dado. Caronte tem metade do diâmetro de Plutão, e o ponto em torno do qual os dois giram fica 938 km acima da superfície de Plutão, no vazio: é o único par assim que a gente conhece.
Os gigantes de gás
Júpiter tem duas vezes e meia a massa de todos os outros planetas somados. E não tem chão.
O que é foto, e o que a gente teve que reconstruir.
Toda peça bonita tem um pedaço inventado. A diferença é dizer qual. Aqui está a lista inteira, sem nenhum item deixado de fora.
Onde existe mapa da NASA, ele foi usado direto
Mercúrio, Terra, Lua, Marte, Júpiter, Plutão, Caronte e as quatro luas de Júpiter têm mosaico global publicado por NASA ou USGS. Esses corpos são fotografia, pixel por pixel.
Saturno, Urano e Netuno foram desprojetados aqui
Desses três não existe mapa planificado público. O que existe é foto de disco. O programa desfaz a projeção, remove a iluminação e devolve o albedo em latitude e longitude. O hemisfério que a sonda não viu recebe a média daquela latitude, o que funciona nesses corpos porque as faixas dão a volta no planeta.
O polo sul de Plutão e de Caronte foi preenchido
Em julho de 2015 ele estava em noite polar. Não é falha do arquivo: é que a New Horizons passou uma vez só, e aquela metade estava no escuro. Aqui a região recebeu a cor média das latitudes vizinhas.
Os planetas estão alinhados, e isso não acontece
Para caber numa viagem só, eles foram postos num corredor. As distâncias ao Sol são as reais, os tamanhos também, e a câmera passa a distâncias de sobrevoo plausíveis. O alinhamento é a licença poética, e é a única.
A câmera abre o diafragma conforme se afasta
A luz do Sol cai com o quadrado da distância. Com exposição fixa, metade da viagem seria uma tela preta. Aqui a câmera abre, como faria uma sonda de verdade, mas guarda um resto de escuridão que cresce: Plutão termina mais escuro que Mercúrio, e isso é de propósito.
O brilho segue o albedo publicado
Os mapas vêm de processamentos diferentes e chegam com brilhos incoerentes entre si. Cada um foi calibrado para o resultado ficar proporcional ao albedo real. É por isso que Mercúrio, a Lua e Calisto aparecem escuros, e Vênus quase estoura.
O gelo, e o fim da linha
Aqui o Sol já não aquece nada: é a estrela mais brilhante do céu, e só. Plutão fecha a viagem menor que a nossa Lua, com 2.376 km contra 3.475.
Não tem vídeo nesta página.
Nenhum quadro foi filmado nem gerado por modelo de imagem. Cada um foi calculado, pixel por pixel, por um programa escrito para esta peça.
A volta, e o ponto pálido
Na volta, a câmera sobe para fora do plano e olha para casa. É aquele ponto.
Dá para fazer bonito e verdadeiro.Quase ninguém tenta os dois.
Esta peça não existe para vender astronomia. Ela existe para mostrar o padrão: quando a gente monta uma página, o dado é conferido, a fonte é citada e o que é reconstrução está escrito. Se isso for o que você procura, vamos conversar.
Quero uma página assimVer a ficha técnica